Publicação

20 de setembro de 2024

Prefácio do livro infanto-juvenil “João e as Almofadinhas Coloridas” (2024)

Autora Cláudia Gutierrez.

O primeiro volume da Coleção Cores do Mundo apresenta o personagem João, nos anos iniciais de vida, e a descoberta da deficiência pela família. Na história, João perdeu o pai; e a mãe, inspirada por um sonho, cria as almofadinhas coloridas que irão ajudar o menino a descobrir as cores do mundo.

 

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Abaixo, confira o prefácio na íntegra.

Lendo e relendo a história de João, me lembro de um momento importante com minha mãe. Eu, ela e o médico, no consultório, e o diagnóstico enfático: “não tem cura e ele vai ficar cego em dez anos”. Exatamente como na história de João, para o médico não havia nada que o amor pudesse fazer. 

Que engano!

Lendo e relendo a história de João, me lembro de inúmeros momentos importantes com minha mãe nos quais o amor fez a diferença. Momentos alegres e tristes, de frustrações e de conquistas. 

Não tenho dúvidas que o amor foi fundamental para eu chegar aonde cheguei. 

Mas, também, me identifico com outras passagens da história de João, passagens que apontam para algo muito significativo quando o assunto é deficiência. Falo, por um lado, em enfatizar as múltiplas formas de conhecer o mundo, em valorizar a potência que os diversos corpos – ou corpos diversos – possuem e, por outro lado, em apagar aos poucos as marcas sociais da falta, da perda e da incapacidade. 

Do seu pai, João guardava o “som gostoso de suas risadas”. E para sentir tudo ao seu redor, João usava o toque dos dedos e da palma de sua mão. Enfim, usava o seu pequeno corpo inteiro para experimentar o mundo! 

E as almofadinhas? Aqui, elas representam o elo entre o amor da mãe e o experimentar de João. Para os leitores, que elas representem a materialização da base familiar tão importante para que nós, pessoas cegas ou com baixa visão, possamos cada vez mais mostrar para a sociedade que a deficiência é uma questão de direitos humanos e que a garantia da igualdade de oportunidades é uma responsabilidade de todos. 

Manoel Negraes